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ECONOMIA - O que muda com a queda da Selic? Alíquota agora será de 4,25%

Publicado em 06 de fevereiro de 2020

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve reduzir a taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira, 5, de 4,5% para 4,25%.

No fim de julho, o Copom iniciou um ciclo de cortes, reduzindo a Selic em 0,5 ponto percentual para 6% ao ano. Em setembro, a Selic foi reduzida novamente em 0,5 ponto percentual, com cortes adicionais de 0,5 ponto em outubro e 0,5 ponto em dezembro.

Isso acontece porque a estimativa de inflação está abaixo da meta e a economia brasileira ainda demora a se recuperar.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Para cortar a Selic, o Copom precisa estar seguro de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.

 

Aplicações

O novo corte da Selic deve reduzir o rendimento das fontes de aplicação preferidas dos brasileiros: a poupança e os títulos de renda variável como o Tesouro Direto.

Segundo a Anefac, caso a Selic chegue aos 4,25%, o rendimento da poupança vai passar dos atuais 3,15% para 2,98% ao ano, já que a caderneta rende 70% da Selic mais a taxa referencial da poupança. Seria, portanto, um rendimento inferior à inflação prevista para este ano, que é de 3,4%.

Da mesma forma, os investimentos que são atrelados aos juros, como os títulos de renda fixa, o Tesouro Direto e o CDB (Certificado de Depósito Bancário), devem ter seus rendimentos achatados. Por isso, se a ideia for investir na renda fixa, a recomendação é procurar um título com uma taxa de administração de até 1%.

Por isso, os analistas dizem que, com os juros nesse patamar, pode ser preferível assumir um pouco mais de risco e apostar em títulos de renda variável.

Quem procura uma forma do dinheiro render mais pode ter, então, que ir para os títulos de renda variável. Isto é, para as ações listadas na Bolsa de Valores e os fundos imobiliários. Afinal, as projeções do mercado financeiro indicam que o Copom vai reduzir a Selic nesta quarta-feira, mas deve manter a taxa de 4,25% até pelo menos o final do ano.

"O BC vem seguindo essa linha de redução dos juros, dado que a economia está trabalhando muito devagar. E, nesse cenário de juros baixos, quem tende a se valorizar são as ações e os fundos imobiliários", explicou o economista da BlueMetrix Ativos, Renan Silva.

Ele diz até que é por conta disso que o número de investidores pessoa física na Bolsa de Valores de São Paulo já vem crescendo. Mas admite que essa ainda é uma cultura pouco erradicada na sociedade brasileira.

E, por isso, dá dicas para quem quer entrar no mundo das ações. "É importante procurar um gestor de recursos e buscar investir em ações de empresas equilibradas e sólidas, de setores mais resilientes como os de utilidade pública (energia e telefonia, por exemplo), que devem se beneficiar da recuperação econômica", orientou.

O economista da BlueMetrix lembrou também que é importante dividir os seus investimentos em mais de uma aplicação. E, na renda fixa, uma boa saída ainda pode ser o Tesouro Direto. "É um título seguro, porque está guardado no Tesouro Nacional. E você tem a vantagem de não pagar taxa de administração ao comprar um título público", afirmou.

 

Créditos

Apesar de a Selic ter caído de 14,25% para 4,5% ao ano ao longo dos últimos cinco anos, os juros praticados pelo mercado de crédito ainda estão muito longe desse patamar.

Segundo a Anefac, hoje, a média desses juros é de 113,43% ao ano - isto é, 6,52% ao mês -, por conta do alto custo que instrumentos como o cheque especial (272,02% a.a.) cartão de crédito (265,28% a.a.) e o empréstimo pessoal (49,36% a.a.) ainda têm no Brasil.

Por conta disso, a Anefac diz que o corte de 0,25% da Selic pode até estimular a inflação e economia, mas não terá um impacto tão relevante nos juros que são cobrados ao consumidor final. Segundo a Anefac, a redução da Selic deve provocar uma diminuição de até 0,42% da taxa média dos juros de mercado.

Esta taxa, porém, ainda vai continuar acima dos 100%: a projeção da Anefac é de um juro médio de 112,95% ao ano - isto é, 6,5% ao mês -, com os juros do cheque especial e do cartão de crédito ainda acima dos 200%.

"Há um descolamento muito grande da Selic das taxas de mercado. E tirar 0,25 ponto percentual de um juro de mais de 100% é muito pouco. Então, os juros devem seguir elevados", afirmou o diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, que credita esse descolamento ao fato de a economia brasileira estar se recuperando a passos lentos.

"Os bancos mantêm o spread alto por conta do risco. Por isso, dependemos de crescimento mais consistente para mudar isso", afirmou.

 

Investimento

Diante disso, ainda se recomenda cautela para quem quer fazer uma compra ou um investimento de médio ou longo prazo.

Segundo a Anefac, usar o crédito rotativo do cartão de crédito por um período de um mês, por exemplo, ainda terá um custo de R$ 341,40 com a Selic em 4,25% - só R$ 0,60 menos do que se paga com a Selic de 4,5%. Já uma compra de R$ 1,5 mil pode ter juros de R$ 508 - R$ 2,20 menos - se for parcelada nos carnês de loja.

No caso de um empréstimo pessoal de R$ 5 mil, dividido em um período de 12 meses no banco, o custo pode chegar a R$ 1.165 - redução de R$ 7,28.

E o financiamento de um carro de R$ 40 mil em 60 parcelas pode ser afetado por um juro mensal de 1,44%, que no final vai custar R$ 20 mil - R$ 300 a menos do que se paga hoje.

Da mesma forma, os juros que incidem sobre as pessoas jurídicas ficarão só um pouco menores com o corte da Selic. Nesse caso, a taxa média deve passar de 45,65% ao ano (3,18% ao mês) para 45,31% ao ano (3,16% ao mês), segundo a Anefac.

É uma redução de 0,74% que vai enxugar em R$ 30 o custo de um capital de giro de R$ 50 mil que vence em um prazo de 90 dias e, hoje, custa R$ 1.944.

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